tu não sabes. não fazes a mais pequena ideia. não imaginas que te encontro à mesma hora todos os dias, no mesmo sítio. tu estás sempre lá, sempre de costas pronto a seguir o teu caminho. não dás por mim e eu grito e corro, mas tu não ouves. e o meu coração sai-me do peito e as minhas pernas tremem, mas tu não dás por nada. porque tu não sabes, porque tu não imaginas que espero por ti, que te quero por perto, que te quero comigo. porque tu não percebes que o que ficou por viver é o que mais custa, que o que ficou por partilhar é o que mais dói. e não sei se nutro algum tipo de sentimento por ti, porque tal seria impossível.. mas quero.. e o meu querer ultrapassa o meu saber.. e por isso continuo a querer a tua mão na minha, os teus lábios nos meus. mas tu não esperas, porque tu caminhas sempre em frente sem hesitar e não olhas para trás.. porque tu não (me) sentes - não sabes sentir-me. 
e eu espero e não espero e quero e não quero, porque eu também não sei esperar-te, nem sei querer-te.
e mesmo que te encontre todos os dias à mesma hora, tu nunca, nunca saberás o que fazes comigo - o que fizeste comigo naquela noite em que quase me sentiste. por isso sigo, por isso acordo e quando adormeço espero por outro dos nossos encontros, em sonhos distantes e inalcançáveis.. na esperança que me notes e me ensines a voar contigo.

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